Voltei a experienciar algo que não acontecia há cerca de dois anos.
Me lembro o pesadelo que era eu me arrumar, trocar de roupa, pegar a bolsa, estar totalmente pronta pra sair de casa... e não conseguir. Quantas vezes fiquei na parte de dentro do portão, parada, tentando com todas as minhas forças dar aquele empurrãozinho que faltava. Mas eu acabava sempre voltando pra dentro de casa, com medo de algo que nem eu sei o que é. Eu simplesmente ficava bloqueada.
Me lembro que, devido a isso, perdi muitas aulas da faculdade (pois não conseguia passar do portão de manhã). Eventualmente, tive que desistir do semestre inteiro. Eu ficava pensando, tentando encontrar uma razão para aquilo tudo e eu sentia um desejo enorme de ser que nem as outras pessoas que simplesmente vivem suas vidas... sendo essa prazerosa ou não.
É claro que minha família nunca entenderia quando eu dissesse que estava com "medo de sair de casa". Tentei conversar com eles algumas vezes, mas não é todo mundo que entende esse sentimento. Nem eu mesma entendo!
Dois anos atrás, escondida de todo mundo, procurei ajuda médica. Comecei a tomar remédio para a depressão e ir semanalmente na psicóloga (que nunca me adaptei). Entretanto, não posso negar, de certa forma ela me ajudou. Lembro que eu contei pra ela detalhadamente os meus medos. Pensar na ação de abrir o portão, o trajeto até a estação mais próxima, a viagem de trem... tudo fazia com que eu começasse a suar frio e aquilo era uma tortura diária. Ela então me disse:
Dois anos atrás, escondida de todo mundo, procurei ajuda médica. Comecei a tomar remédio para a depressão e ir semanalmente na psicóloga (que nunca me adaptei). Entretanto, não posso negar, de certa forma ela me ajudou. Lembro que eu contei pra ela detalhadamente os meus medos. Pensar na ação de abrir o portão, o trajeto até a estação mais próxima, a viagem de trem... tudo fazia com que eu começasse a suar frio e aquilo era uma tortura diária. Ela então me disse:
"tu só vai saber se tu consegue ou não, se tu tentar. Dê uma chance a ti mesma, por mais que doa, mas saia de casa, só pra ver. Se a experiência for ruim, tu me conta tudinho na próxima semana, mas tenta dar uma chance pra ti mesma, só pra ver como vai ser..."
Confesso que não tem sido fácil, mas também sei que é um ciclo que eu tenho que quebrar. Continuar em casa, na minha zona de conforto, não vai ajudar em nada. Novamente, essa não sou eu. Hoje, depois de alguns dias, tive que sair de casa para fazer a cirurgia de remoção de sisos (tô mais bochechuda que o normal, hehe). E não foi difícil. Foi um dia até bem agradável. Tudo que eu tenho que fazer é colocar o pé pra fora de casa. Pode ser mais difícil alguns dias, mas eu quero e vou me ajudar. Se é pra sair chorando de casa... no problems, tenho uns óculos escuros bem bonitos! O que eu não posso é deixar isso tudo ser mais forte que eu, me impedir de viver.
Pois o segundo semestre da faculdade e do trabalho inicia essa semana. Tenho refletido bastante sobre a minha vida e sobre o que eu tenho feito para mudar o que não gosto. Sei que essa sensação ruim não vai durar pra sempre. Eu só quero me sentir bem comigo mesma e com o mundo ao meu redor, me sentir livre e não limitada. Não encontrar tanta dificuldade nas coisas mais simples. Vai doer, alguns dias serão mais difíceis que outros, mas vou me focar no que me faz feliz. Escrever sobre isso me faz me sentir melhor. Sempre há algo bom no dia, e é isso que vai me dar forças para seguir. Meu foco agora é, daqui a alguns meses, olhar pra trás e ver que eu alcancei algo, nem que seja algo que só eu perceba.
Coisas que me fazem feliz e, portanto, preciso fazer mais: ler os livros da minha lista infinita, assistir a filmes e séries da minha lista infinita, caminhar no parque, desenhar aleatoriamente, escutar música, viagens (curtas e longas), brincar com animais, tentar novas receitas, me alimentar bem, exercício físico, aprender/treinar um novo idioma, aprender coisas novas no geral.
Que o resto do ano seja leve e feliz ❤
2 comentários:
Olá.
Um dia isso passa, mas você não vai conseguir sozinha. Continue com o tratamento médico e com a terapia, são muito importantes para sua melhora. Falo isso porque passei pela mesma coisa a uns 2 anos, e só estou conseguindo melhorar com terapia. Exercícios físicos também são muito importantes.
Tudo o que você escreveu é igual ao que eu passei. A família realmente não consegue entender totalmente já que nem a gente entende o porquê daquilo. Mas ninguém sabe o tamanho da dor do outro se não passou pela mesma dor. E eu já passei por essa "dor" e sei que um dia acaba. Tenha fé na sua cura. Bjo
Ai Nat, as vezes eu me leio nos seus posts. Minha faculdade ficou sem terminar exatamente assim... Mas é como ela disse mesmo, tenta mudar o foco, se de uma chance e faça acontecer!
Espero ver você muito feliz em breve. O melhor da vida que apesar de tudo as coisas ruins ficam pra trás. A gente tem uma nova chance todo dia!
Abraços!
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